Por que as redes sociais fazem você se sentir pior consigo mesmo
- Ivana Siqueira

- 23 de jul. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 13 de abr.

Você entra nas redes sem pensar muito. Alguns minutos depois, algo muda.
Pode ser uma comparação aqui, uma sensação de estar ficando para trás ali. Às vezes vem uma dúvida sobre si, uma insatisfação difícil de explicar. Nem sempre é algo óbvio, mas vai se acumulando. Quando percebe, você sai pior do que entrou, mesmo sem saber exatamente por quê.
Isso não é por acaso
As redes já não funcionam como um lugar onde você escolhe tudo o que vê. Hoje, o que aparece para você é filtrado por algoritmos. Eles observam seu comportamento: quanto tempo você fica em um post, o que te chama atenção, o que te faz reagir. A partir disso, passam a mostrar mais do mesmo. O objetivo não é te fazer bem. É te manter ali.
E o que mais prende costuma ser conteúdo que mexe com emoção, que provoca comparação ou causa algum impacto.
O efeito disso na sua cabeça
Quando você é exposto repetidamente a esse tipo de conteúdo, isso começa a influenciar a forma como você se enxerga.
Pode aparecer como:
comparação constante com outras pessoas
sensação de não ser suficiente
dúvidas sobre si mesmo
dificuldade de se desconectar
necessidade de aprovação
Não é algo que você escolheu pensar. É um ambiente que reforça esse tipo de sensação.
Quando a comparação vira automática
Em muitos casos, você nem percebe o quanto está se comparando.
Mas começa a sentir que:
está atrasado
não fez o suficiente
os outros estão sempre melhores
As redes mostram só um recorte da realidade, mas o cérebro acaba tratando aquilo como referência. E isso muda a forma como você se avalia.
Nem todo mundo sente isso igual
Esse impacto costuma ser mais forte quando já existe alguma vulnerabilidade.
Por exemplo, pessoas que já têm tendência a:
se cobrar demais
buscar aprovação o tempo todo
sentir que nunca é suficiente
As redes não criam isso do zero, mas ampliam.
Por que é tão difícil se afastar
Mesmo percebendo que não está fazendo bem, sair nem sempre é simples.
Isso acontece porque:
o conteúdo é feito para prender sua atenção
existe uma mistura de estímulo e frustração
a validação aparece de forma irregular (às vezes vem, às vezes não)
Nada disso é neutro. É pensado para manter você engajado.
Não é só uma questão de “usar menos”
Diminuir o tempo pode ajudar, mas nem sempre resolve tudo.
O impacto não depende só de quanto você usa, mas de como você se relaciona com o que vê. Em alguns casos, as redes acabam se conectando com padrões mais antigos de comparação, autocrítica e busca por validação.
Um ponto importante
Se sentir pior depois de usar redes sociais não é sinal de falta de controle. Muitas vezes, é o efeito de um ambiente que reforça certos padrões emocionais, somado à sua própria história.
Quando vale olhar para isso com mais atenção
Se esse tipo de sensação começa a ser frequente, vale parar e observar melhor.
Nem sempre é só sobre as redes. Pode ter a ver com a forma como você aprendeu a se ver, a se comparar e a se posicionar no mundo. E isso pode ser trabalhado. A terapia, por exemplo, ajuda a entender esses padrões e, aos poucos, mudar a forma como eles aparecem no dia a dia.



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